quarta-feira, 6 de maio de 2020

Escritores de Coração de Jesus


Escritores de Coração de Jesus e suas batalhas

Gilberto Medeiros

Figura 1 Capas livros escritores de Coração de Jesus. Foto do autor.
Neste artigo trago uma visão de perto da vida e produção de alguns escritores de Coração de Jesus e suas batalhas na produção de seus trabalhos e no exercício de seu ofício. Conheço esses escritores, e vejo suas batalhas tão acirradas que podem levar à exaustão.
Os escritores que apresentarei aqui já publicaram livros e todos através de produções próprias. Infelizmente, nenhum ainda obteve o devido respeito e reconhecimento pelo seu trabalho. No artigo trago informações fornecidas pelos próprios escritores, que obtive através de um questionário que enviei a eles por meio do WhatsApp, Messenger ou e-mail, sobre sua vida de escritor, obras, desafios entre outros temas. Enviei o questionário a vários escritores e escritoras, mas apenas quatro deles me responderam. Então, o artigo será dedicado àqueles e àquela que me responderam. Caso obtenha respostas de outros escritores ou escritoras, posteriormente, escreverei outro artigo sobre o trabalho deles e delas. Transformei parte das entrevistas em texto narrativo, porém, respeitando falas e ideias dos escritores.
Neste artigo, no entanto, não irei deter-me a examinar as formas e os temas da escrita desses autores, por dois motivos: primeiro: para que este artigo não fique muito longo; segundo: porque pretendo abordar a produção literária de cada um deles em artigos específicos posteriormente. De tal modo, vou deter-me apenas em apresentar a produção e os desafios desses escritores em seu Ofício de Escritor. A ordem em que os escritores aparecem no artigo é a ordem em que foram respondendo ao meu questionário. E eles são: Elismar dos Santos Alves, Raphael Souza, Ubirajara Alves Macedo e Maria Clara Moreira Leite e Souza.
O escritor Elismar dos Santos Alves é natural de Coração de Jesus, é professor na Rede Estadual de Educação e hoje vive mais em São João da Lagoa, a cerca de 22km de sua cidade natal. É membro efetivo da ACLACJ – Academia de Ciências, Letras e Artes de Coração de Jesus. Com vários livros e textos publicados, é um dos escritores com maior produção da nossa região. Como o próprio escritor especifica, lida com uma variedade dos tipos de produção literária, construindo seu ofício na poesia, crônicas, conto, romance e música. A composição musical de Elismar Santos é uma novidade entre os escritores locais, visto que é uma produção muito difícil, o que faz com que nem todos tenham habilidades para ela, apesar de serem bons em outros tipos textuais. Entre suas produções musicais, destaca-se o Hino Oficial de São João da Lagoa.
Elismar Santos, como é conhecido, tem um histórico importante não só de publicações, mas também na escrita. Começou ainda em sua infância a produção de seus primeiros textos, como podemos conferir em sua fala em reposta a perguntas do autor deste artigo:
“Publiquei meu primeiro livro (Mutação) em 2013; mas a lembrança mais remota é de um livreto escrito em sala de aula, a pedido da professora Sérgia (na Escola Coração de Jesus), quando eu estava na 3° Série, com 9 anos. E, depois, escrevi dois poemas elogiados pela professora Maroni, em 1998, quando eu estava no 1° Ano Médio”.
Percebe-se que o escritor teve seus dons para a escrita despertados ainda em sua infância, e que escreveu seu primeiro trabalho ainda na puberdade. As obras do escritor publicadas até o momento, constam de uma lista elabora por ele a meu pedido, que segue abaixo:
“Publiquei Mutação (Poesia); Sanharó (Romance); A Pá Lavra (Poesia); O Poeta e suas Lavras (Poesia); Minhas Crônicas (Crônicas) e A Saga de Juca Pessoa (Romance);
Figura 2 Livro Sanharó de Elismar Santos. 
Foto do autor.
além de um projeto (in-sacando Poesia - Alimentando a Alma) e participação em duas coletâneas”.
Elismar Santos, no entanto, publica seus textos também em sua página pessoal no Facebook e em seu Blog pessoal, o que faz sua produção literária mais ampla do que o que está aqui demonstrado.
A produção do autor, como de todos os escritores de Coração de Jesus, é independente, o que significa que o próprio escritor produz toda a sua obra, da composição ao lançamento, isto quando há, de fato, um lançamento. Segundo Elismar Santos, uma de suas grandes dificuldades é a “falta de apoio, principalmente financeiro”, deixando claro que não só falta apoio financeiro, como investimento de qualquer setor em seu trabalho, mas também apoio cultural e de leitores.
O escritor, no entanto, afirmar que se sente realizado em eu Ofício de Escritor. Em suas palavras: “por me satisfazer com a minha obra somente; pois o reconhecimento popular é pouco, até mesmo porque a maioria não gosta de ler e, sobretudo, de comprar livros (além de Santo de casa não fazer milagre)”, conclui.
Questionado sobre o que tipo de respaldo ele gostaria de ter para que sua obra fosse, definitivamente, reconhecida, ele responde: “o principal talvez seria o apoio financeiro, principalmente por parte das autoridades políticas, que poderiam criar, por exemplo, fundos de financiamento aos artistas”. E aqui o escritor fala não apenas de apoio aos escritores, mas do apoio a todos os artistas de Coração de Jesus.
As obras de Elismar Santos podem ser encontradas, para compra, em plataformas digitais como a Amazon e o Clube de Autores.
O escritor Raphael Souza, mais conhecido como Pastor Raphael, é natura da Cidade de Nilópolis, no Rio de Janeiro. No entanto, mora com a Família em Coração de Jesus há 08 anos, e costuma afirmar que adotou a cidade como sua, e por ela tem insuperável apreço. É mestre em Jiu-Jítsu e desenvolve um projeto voluntário com uma Escola de Jiu-Jítsu em Coração de Jesus. Professor de Educação Física, escritor e religioso profundo, desenvolve sua escrita em “diversos assuntos: política, poesia, romance, conto infantil”, como afirma
Figura 3 Livro Raphael Souza. Foto do autor.
em resposta ao questionário deste autor.
Raphael Souza começou a escrever antes dos 10 anos de idade, deixando transparecer sua vocação pelo Ofício de Escritor ainda na infância. O escritor não nega a influência de seu Pai em sua produção, pelo contrário, a afirma, conforme me informou, pessoalmente, e pela resposta ao questionário para este artigo:
GM: Com que idade você começou a escrever?
RS: Antes dos dez anos vendo meu pai Raimundi Souza, falecido em 05 de abril de 2020: (ele) era escritor, músico, poeta, veterinário e professor de esperanto, com vários prêmios, inclusive na China.
O escritor possui alguns livros publicados e outros em fase de publicação. Na verdade são “três publicados e quatro em fase de publicação”, afirma. Os títulos das obras de Raphael Sousa, tanto as publicadas quanto as em fase de publicação, me foram confirmadas pelo autor na seguinte lista:
“Publicados: Aliança com as Rosas (Poesia), O Mestre, filosofia e pedagogia do Jiu-Jítsu, vol. I., 1° edição (arte marcial) e Excelência em capelania (religioso).
(...) fase de publicação:
O Mestre, filosofia e pedagogia do Jiu-Jítsu, 2° edição, Pinguelinho: segredo de família (conto infantil), Todo político mente de vereador a presidente (política), Quem é o santo protestante (religioso)”.
Assim como Elismar Santos, a produção dos livros de Raphael Sousa é própria, “arte diagramação e etc., mas, foi publicado pela editora A Voz do Brasileiro”, com a exceção de que foi publicada por uma editora. Em termos práticos, para nós escritores, se a produção não foi feita toda pela editora, inclusive divulgação e lançamento, significa que ou escritor pagou pela produção completa, comprando o trabalho da editora e pagando à vista. Isso deixa livres os direitos autorais, o que faz com que o escritor possa republicar sua obra quantas vezes quiser e por qualquer meio que acreditar melhor. Porém, deixa todo o trabalho, inclusive de venda, por conta do escrito. Em se tratando de escritores locais, isso é uma tremenda dificuldade, pelos vários motivos que já elenquei aqui e que Raphael Sousa irá descrever mais à frente.
Na sua produção literária, Raphael Souza indica uma série de dificuldade, como: o “brasileiro não tem hábito de leitura, falta apoio financeiro cultural, outro problema é a logística, distribuição e o marketing, além de poucos incentivos nas bienais para novos autores”. Realidade, preciso concordar.
Mas indagado se se acha realizado neste ofício, o autor responde: “Sim. Amo escrever, pensar fora (da) caixinha, produzir ideias e ideais”. Porém, afirma que gostaria de ter apoio para que seu trabalho pudesse ganhar o destaque merecido. Indica como dois principais apoios: “além de apoio financeiro para ter tranquilidade para escrever é o apoio logístico de distribuição e marketing”.
Os livros de Raphael Souza podem ser encontrados com o próprio autor, e algum deles na plataforma do AgBook.
O escritor Ubirajara Alves Macedo, nasceu em Coração de Jesus, e hoje está com 77 anos de idade. É o escritor vivo mais velho que temos. É filho do explorador José Alves de Macedo, pioneiro nas buscas paleontológicas, espeleológicas e arqueológicas de Coração de Jesus. Ubirajara, mais conhecido como Bira Macedo, e agora como Ubirajara Macedoi, acompanhou o seu Pai desde a tenra idade em suas muitas descobertas. É fundador da Fundação Cultural José Alves de Macedo, da qual é curador, Membro Fundador e Presidente da ACLACJ – Academia de Ciências, Letras e Artes de Coração de Jesus e atual Secretário de Cultura do Município. Teve seu sobrenome atribuído ao Titanossauro Tapuiassarus Macedoi, descoberto no Município de Coração, de cuja descoberta e exploração fossilífera participou. Também é Guardião da Casa de Cultura de Coração de Jesus, a qual abriga o Museu de Coração de Jesus e uma biblioteca.
Ubirajara Alves Macedo foi escritor precoce, começando suas produções aos 06 anos de idade. Já por essa época, “fizemos o primeiro Jornal, juntos, eu e Sanguinette”, explica, referindo-se ao amigo Geraldo Sanguinette. O escritor faz incursões em diversos gêneros literários. Modestamente, diz: “de tudo um pouco, incluindo agora um científico”. O texto científico a que se refere é seu novo livro, ainda a ser publicado, “Tapuiassaurus macedoi”, corrigido e prefaciado pelo advogado e paleontólogo, o Professor Leonardo Campos. O seu último livro, lançado em janeiro deste ano, foi Geografia dos Mitos: lenda, fábulas e contos de Coração de Jesus, cujo prefácio tive o prazer de escrever.
Bira Macedo é o escritor de Coração de Jesus, atualmente, com maior número de obras publicadas, e conta ainda com vários escritos a serem organizados para publicação. Bira Macedo já publicou “9 livros, e mais 03 no prelo”, cujos títulos, dos publicados, são:
“Retrospectiva Histórica e Geográfica de Coração de Jesus; SINOPSE; Vocabulário Regional; CJ CEM ANOS; História da Câmara Municipal; Um Vulto na Cultura; Minhas Rimas; Migalhas Folclóricas; Pitinha Ontem, São João da Lagoa Hoje e Geografia dos Mitos”.
A obra Um Vulto na Cultura, trata-se de uma biografia não autorizada do autor, escrita pela Professora Varníbia Aparecida Antônia Marchi, de São Paulo, e enviada ao autor como presente de reconhecimento pela sua contribuição à Cultura de Coração de Jesus.
Figura 4 Livro de Bira Macedo. Foto do autor.
Ubirajara Macedo, tal como Elismar Santos e Raphael Souza, trabalha a produção de seus livros por conta própria. O autor desabafa: “falando a verdade, pesquisei tudo a sós, tentei patrocínio, consegui o mínimo, mas venci e aí estão”.
Os desafios para o escritor não são poucos, e ele confidencia que “mesmo sendo Secretário de Cultura, hoje, precisaríamos de mais apoio em tudo das Administrações, no setor cultural”.
Bira Macedo, no entanto, diz-se realizado em seu Ofício de Escritor, “pois sendo um semianalfabeto, consigo fazer o que quero”. O termo semianalfabeto aparece constantemente nas conversas que tenho com o escritor, e acho graça nisso. Embora não seja detentor de título de nível superior, Bira Macedo é Contador de profissão, fotógrafo e jornalista por iniciativa própria. Já fundou vários jornais e periódicos em Coração de Jesus e foi correspondente em mais de um Jornal do Norte de Minas, além de realizar vários cursos de extensão e capacitação nas áreas de cultura e paleontologia. Além disso, se sai bem em outras áreas da arte: é artesão, escultor e, batam palmas, boticário. Produz vários perfumes com plantas, frutos e raízes do serrado, além de elaborados e deliciosos licores.
Mas a queixa de Bira Macedo é a mesma de outros escritores locais. Para ele, é necessário que haja “mais valorização pelos nossos conterrâneos e os políticos regionais”.
As obras de Bira Macedo podem ser compradas diretamente com o próprio autor, inclusive por encomenda através de seu perfil no Facebook, ou por e-mail, ou no Casarão da Fundação Cultural José Alves de Macedo, na Praça da Matriz, em Coração de Jesus.
A escritora Maria Clara Moreira Leite e Souza, única escritora a responder à pesquisa, nasceu na cidade de Montes Claros, mudando logo depois para Coração de Jesus. Sua família é de origem daqui e viveu em Coração de Jesus até os 14 anos de idade, quando retornou para Montes Claros para estudar. Porém, vem com frequência à nossa cidade, onde estão seus pais e seu irmão. Maria Clara publicou o livro de poesia “Na ordem da vida eu poetizo”, no ano de 2012. Convidada por mim para falar sobre sua vida como escritora, respondeu, animada, e prontamente, ao convite. O que se segue é praticamente toda a narrativa das respostas que ela me enviou.
Maria Clara é, também, um daqueles talentos que, como Elismar Santos, Raphael Souza e Ubirajara Macedo, nasceu na infância. A escritora afirma:
“Aos sete anos escrevi meu primeiro poema, foi escrito para a minha professora da 1ª série do fundamental I, por quem eu nutria muita admiração. Mas, quando criança, sempre fui de verbalizar poesias. Quando fui alfabetizada aprendi também a colocá-las no papel”.
A autora é também um talento que consegue migrar entre os vários tipos de produção literária, como poesia, “diário, crônicas, romance”. No entanto, não publicou, oficialmente, nenhum outro texto que não poesia.
Maria Clara produziu o seu livro de maneira independente, da mesma forma que os demais escritores de Coração de Jesus. Para ela, porém, incentivada pelos pais, o trabalho parece menos cansativo do que para os demais. Veja o que diz a autora sobre seu trabalho:
“Na realidade, falo que ‘caí de paraquedas’ no mundo da publicação literária. Pois, incentivada pelos meus pais, decidi participar do Psiu Poético e foi lá que me mostraram que, reunindo as poesias que escrevi desde os seis anos até os onze, eu poderia publicar um livro e lançá-lo na edição do Psiu que participei. Achei muito interessante na ocasião. Quando criança, sempre fui de tomar decisões desafiadoras para minha idade. Mas, escrever um livro foi muito tranquilo, pois ao longo da minha infância amava escrever e na época era um passatempo descrever e analisar meus sentimentos e visões de mundo por meio da poesia”.
Por outro lado, a escritora sente na pele os mesmos desafios que todos os escritores de nossa região. Questionada sobre esses fatores, ela responde:
“A desvalorização do escritor é relatada frequentemente, mas quando escrevi fui muito bem surpreendida, pois as pessoas davam valor ao trabalho artístico de uma criança. Porém, hoje em dia, penso que se fosse escrever poesias como ofício único seria uma jornada trabalhosa, tanto pela inspiração, pois quando somos criança a imaginação vai muito mais longe, quanto pela desvalorização do escritor e da falta de motivação à leitura. Quando eu
Figura 4 Livro de Bira Macedo. Foto do autor.
estudava no fundamental I, na época que escrevi a maior parte do meu livro, a leitura era muito incentivada nas escolas aqui em Coração, o que admiro muito. Porém, poucas crianças têm o hábito de ler em casa, quando crescemos isso muda ainda mais drasticamente. Penso que em tempos de quarentena, que vivemos atualmente, se tornou mais perceptível que os livros são uma maneira de ocuparmos a mente e viajarmos para fora de nossa própria casa. No dia-a-dia, porém, ainda encontro essa desvalorização da leitura e, consequentemente do ofício do escritor”.
Maria Clara não tem atuado muito, nos últimos anos, no ofício de escritora, mas afirma, sobre se se sente realizada nesse ofício:
“Enquanto escrevi e publiquei os meus escritos, isso me fez muito realizada. Era um sonho de criança que consegui realizar. Hoje, utilizo a escrita para organizar muitas áreas da minha vida, para autoconhecimento. Então, se e quando voltar a escrever literatura, penso que continuarei muito realizada. A escrita abre nossa mente e nos leva a ver o mundo com olhos mais observadores”.
Com relação a que tipo de respaldo ela gostaria de ter para que seu ofício fosse, definitivamente, reconhecido, a autora respondeu:
“Acho que ainda falta incentivo concreto e maior divulgação de eventos literários em cidades como a nossa. Apesar de Coração valorizar muito a cultura do município, como realizando o ‘Diz que é de Coras’ e outros eventos, ainda penso que seria incrível uma estimulação concreta das produções artísticas aqui. Falo isso em âmbito local, pois sei que muitos possuem potencial para serem artistas na cidade, mas encontram poucos ambientes para exporem suas obras. Eventos como o psiu poético, locais como a biblioteca pública, tornando-a mais funcional e estando essa ligada à estimulação da leitura e escrita, incentivariam muitos a escreverem e, dessa maneira, seria dada maior visibilidade à escrita como um ofício propriamente dito”.
A escritora não me informou se sua obra ainda está à venda ou se já se esgotou. Interessados no livro, acesse seu perfil no Facebook para tirar dúvidas.



Próximo artigo deste Blog: Ubirajara Alves Macedo: o autor através do tempo








sexta-feira, 17 de abril de 2020

Escrever em tempos atuais


Ser escritor em tempos de multimídia

Gilberto Medeiros

 
Imagem: Entre Coisas. Fotografia do Autor.

O escritor é uma figura que atravessou os séculos, mesmo o milênios, na história da humanidade. Por si só já é a personificação do trabalho que realiza. No entanto, há sempre uma indagação quando se trata do trabalho do escritor: o ato de escrever seria por si só uma profissão? Podemos definir, claramente, o trabalho do médico, do professor, do advogado, do pedreiro entre muitos outros como uma profissão sem medo de errar. Mas e o escritor? Exerce uma profissão ao escrever? Essa dúvida é ainda mais latente quando se percebe que a maioria dos escritores exerce essa função não como ato puramente profissional, mas como uma segunda, terceira e até quarta opção.  É visível que a maioria dos escritores tem outra profissão. Assim, são professores escritores, advogados escritores, médicos escritores, pedreiros escritores etc. Não conheço, e não sei de alguém que conheça, um escritor que viva apenas de sua escrita. No entanto, podemos definir o ato de escrever como uma profissão sim, mesmo que seja cumulada com outras atividades. É uma profissão reconhecida no Brasil como tal, embora não regulamentada, o que significa que não está coberta pelos mesmos direitos que as demais profissões. Por outro lado, temos também sindicatos de escritores e outras instituições representativas da classe, embora sejam mais iniciativas locais.
O trabalho do escritor sempre foi um desafio em qualquer lugar e em qualquer tempo. No mundo contemporâneo, especialmente neste momento em que vivemos uma explosão das multimídias, não é muito diferente. Sei, por experiência própria, que integrar a classe de escritores significa está apto para enfrentar muitos desafios e correr o risco de ter que desistir no meio da estrada. Pois não se trata só de ser apenas um escritor, é preciso fazer com que o que você escreva seja lido. Ou seja, um escritor precisa, necessariamente, ter leitores para que sua escrita esteja viva e presente. Não se trata apenas de vender o que se escreve, mas de fazer chegar, o mais longe possível e a mais pessoas possíveis.
A vida de um escritor, no Brasil, sobretudo, esta cercada de dificuldades. De 100 autores, dois ou três, com muita sorte, consegue fazer seu trabalho ganhar destaque. A batalha para encontrar uma editora que queira publicar seu trabalho é tão árdua quanto produzi-lo, e para muitos, é ainda mais árdua. Normalmente um autor brasileiro, com publicações no Brasil, ganha apenas 10% do valor de capa de um livro, o restante está dividido entre custos editoriais, distribuição e com livraria. Temos ainda a tiragem muito limitada. Um escritor, ou uma escritora, com uma média de leitores e um seguimento razoável, faz uma tiragem de até 3.000 livros no Brasil, e demorará até dois anos para vendê-los. Se conseguir vender todos os seus livros nesse tempo, ganhará, em média, R$500,00 por mês. Uma renda da qual não dá para depender. Assim, a maioria dos escritores acaba escrevendo para realizar um sonho, outros acabam conseguindo entrar para o mercado editorial e ganhar mais dinheiro.
As dificuldades para atrair a atenção de uma grande editora é hercúlea. Diante disso, surgem novas formas de escrever e publicar o que produzimos. É preciso destacar que as editoras também sofrem com isso, pois a burocracia e o desejo de acertar sempre, o que as faz publicar apenas autores que vendem, têm feito muitas editoras poderosas caírem e a maioria delas fundirem-se em grupos editoriais maiores. Do lado dos escritores, surge a geração de escritores multimidiáticos, isto é, escrevem em perfis e páginas de mídia digitais, tais como o Facebook e o Instagram. Os poetas são os principais desta geração. Isso se deve a um fator muito perceptível: a poesia é bela, mas nem tão vendável. Dessa feita, nós, os poetas, abrimos espaços à força nas mídias digitais para fazer nosso trabalho chegar mais adiante. Criamos saraus online, blogs, perfis, páginas, fazemos lives, publicamos e-books e trabalhamos no nosso próprio sistema de marketing. Realizamos cursos à distância para saber como escrever, publicar e divulgar nossos trabalhos e contamos com amigos para ajudar nessa divulgação e venda. Junto com a geração de escritores de mídias, surge também a geração de leitores multimidiáticos. O conforto de se ter uma biblioteca na palma da mão, sendo acessada pela tela de um celular, a facilidade de se acessar essa biblioteca de qualquer lugar, e o preço dos livros, levaram milhares de leitores a redirecionarem suas intenções para a leitura digital. Outro seguimento que viu isso e se apossou desta nova forma de se editar e se ler, foi o seguimento dos editores. Assim, sugiram plataformas especializadas em publicar, vender e distribuir livros e Apps especializados em vendê-los e distribuí-los.

Porém, ainda somos escritores de obras impressas. Nossa mentalidade é milenar. Um arquétipo bem estruturado e, por isso, ainda não conseguimos abrir mão, totalmente, de um bom livro impresso. Somos frequentadores de bibliotecas, temos estantes de livros em casa e ensinamos aos nossos filhos como ler e carregar um livro debaixo do braço.
No entanto, estamos nos tornando mais especializados em escrever e editar nossos próprios livros, mesmo que sejam impressos.
Imagem: Fotografia da Tarde. Foto do autor.
Fazemos praticamente todo o trabalho. Possuímos aplicativos de diagramação, estruturação das capas, montamos a fichas catalográficas etc. Além disso, nos tornamos mais livres no uso de imagens nas capas de nossos trabalhos, desde que sejamos os próprios autores ou que os direitos sejam negociados adequadamente. Acabamos fazendo mais publicações de Edição do Autor do que de outra maneira. De qualquer forma, estamos na geração que usa a mídia a nosso favor para escrever, e o que buscamos é que este espaço nos seja maior e nos proporcione a ampliação de nossos trabalhos para conquistarmos nossas metas: escrever, publicar e sermos lidos.

Espero você para a leitura de meu próximo texto: Escritores de Coração de Jesus e suas batalhas.



terça-feira, 7 de abril de 2020

Estranha Poesia


Olá pessoal!
Resolvi voltar a publicar em meu Blog, coisa que não faço há muito tempo.
Publicarei, para recomeçar, a Apresentação de meu livro Estranha Poesia, escrita por Bira Macedo.


Apresentação

Uma apresentação de um simples semianalfabeto, para Gilberto Medeiros.

                                                   Cantar é próprio de quem ama.
                                                     (Sto. Agostinho)


Sim, um irmão de versos, e graças a Deus vale a pena viver e conhecer este trabalho. Sim, não obedecer a nenhuma sequência de fatos, nem à ordem cronológica dos mesmos. Deixarei a esmo vagar a memória, e falar abertamente o coração.
Estou viajando nas páginas; este livro é um cântico. O autor escreveu com todo o sentir de sua alma, profundamente humana, em prosa impregnada de amor e de um encantamento que só os poetas vivem.
Amor que transpira de simplicidade das suas enternecedoras confidências, da humildade das dedicatórias, da sinceridade dos seus relatos poéticos contemplativos, da sua visão cristã do mundo, da isenção de quaisquer propósitos de interesses pessoais e do próprio objetivo do livro: simbolizar a gratidão... o amor.

Na planície imensa, triste, em que campeiam o materialismo e o egoísmo dos nossos dias, surge raramente um oásis espiritual, um raio de luz nas trevas das nossas escuras apreensões.
É um oásis espiritual saber expressar em versos, “indiscutivelmente”.
Após a sua leitura, nos sentimos tal como no final de uma piedosa missa em que o oficiante nos deixa na alma a alegria de viver, a confiança no futuro, a sensação de que vale a pena praticar o bem e por ele lutar e viver, e a certeza de que, felizmente, há ainda quem acredita vivamente nos desígnios e na presença da Natureza e o canta na linguagem pura do coração, em versos poéticos...
Tudo nos foi transmitido num estilo despretensioso, suave, agradável, tocantemente simples, como simples é a alma grande e boa de Gilberto Medeiros.
Este é o seu primeiro livro de poemas. Gilberto Medeiros nos traz um rico conjunto de obras de grande suavidade e doçura, marcadas por um sentimento do belo que passeia entre a natureza, as relações do eu com o mundo, com o universo, que circula entre as dores, paixões, desejos e frustações de todos nós, habitantes efêmeros desse nosso planeta.
Peço desculpas ao autor, tento mostrar a beleza pura e simples dos seus versos, mas não sei, não sei se serei capaz de deixar aqui palavras que toquem, como seus poemas, os corações dos seus leitores e admiradores.
Meu caro companheiro, amigo, colega nos versos sentimentais e de uma nostalgia que flora em nosso eu, desculpe, mas quero uma desculpa com amizade: é merecedor de um comentarista estilo Machadão, não um simples plebeu como eu.
Agradeço pela confiança, pela sua coragem de deixar em mãos leigas um monumento como este, onde a voz interna do “ser”, mostra a realidade em versos. Nada mais poderei acrescentar. Vejam o prefácio do autor, diz tudo, leiam o poema “Sagrado Profano” onde o autor se mostra...
Como foi difícil para mim conseguir um relato assim, segundo os preceitos do ritual que ilustra e rege essas páginas. Quase o consegui, sei. O que escrevi, soltei lá de dentro do meu eu as lembranças e aumentei, dentro de minha alma, a beleza dos versos de nosso querido Gilberto Medeiros.
Coração de Jesus, dezembro de 2019.

Ubirajara Alves Macedo*
*Contador de formação. Jornalista por experiência. Poeta, escritor e historiador da cultura local, com vários livros publicados. Artesão. Presidente da Fundação Cultural José Alves de Macedo. Presidente da Academia de Artes, Letras e Ciências de Coração de Jesus. Secretário de Cultura de Coração de Jesus.


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A tecnologia no cinema

Tecnologia interativa em Capitão América 2: O Soldado Invernal


A aplicação de tecnologias interativas em produção de filmes obteve grande destaque, especialmente, a partir da década de 90. Não que isso não fosse possível antes desse período. O uso das tecnologias interativas na produção de filmes possibilita a interação entre admiradores, no caso o público, e os produtores. Harry Potter talvez seja o maior exemplo dessas aplicações ao se tratar de filmes juvenis. A franquia conta, além de oito filmes, com sites onde os internautas deixam suas impressões, além do site oficial da escritora da história no qual recebe a opinião dos seus leitores, com jogos, com adaptações para desenho e, esplêndido, uma nova cidade, começada a partir do Beco Diagonal, construída em Orlando, na qual reproduz, em grandes sets, partes da Hogwots. Esta cidade pode ser visitada em excursões na Inglaterra, para a qual convergem, atualmente, milhares de fãs da produção.
A produção do Filme Capitão América 2: O Soldado Invernal, apesar das muitas críticas, alguns afirmam haver um desprezo pelo uso da tecnologia interativa na produção do filme, conta com a técnica interativa em sua produção, como pode ser depreendido dos bônus do próprio filme, em que aparece uma agenda do protagonista com referências mundiais, na tentativa de construir um herói mundial, não apenas centrado nos EUA. As referências são, sobretudo, a personagens importantes de vários países, mormente os países mais influentes de cada região global. Escolhiam-se as personalidades com mais de cinco votações para entrar como referências no filme. O grande desastre está no Brasil, cuja referência foi nada mais do que Xuxa, como grande cantora e personalidade. Tristeza, visto que o Brasil oferece outras personagens muito mais importantes para a construção da memória cinematográfica e cultural. Shakira foi, também, pela América Latina, como cantora reconhecida internacionalmente. Uma referência um tanto fraca.

O fato é que a produção de Capitão América 2: Soldado Invernal, conta com o uso de tecnóloga interativa, seguindo a linha das grandes produções cinematográfica do momento. A parte final do filme, após os créditos, que dá ideia de uma sequência, exprime isso mais claramente, ao dar a opção a quem está assistindo de esperar um momento de revelação e fazer todo mundo correr para a internet em busca de maiores informações.

O uso da tecnologia interativa dá-se não apenas na produção do filme, mais aparece no próprio filme. O destaque recai sobre a web conferência do Conselho da Shield, na qual os conselheiros,
representantes poderosos de certos países, discutem com o secretário da mesma, que de fato exerce o poder, as problemática do lançamento de um novo programa nuclear.

As web conferências são uma realidade hoje, especialmente no mundo dos negócios e da educação. Mas também estão presentes em assuntos governamentais, podendo ser utilizadas mesmo na elaboração e assinatura de determinados acordos. O uso das tecnologias interativas na produção dessas novas conferências possibilita a redução de gastos com deslocamentos e a economia de tempo, deixando os agentes livres para outros empreendimentos mais rápido do que se pode esperar.

A web conferência da Shield, em Capitão América 2, representa não uma imaginação cinematográfica, mas reproduz a realidade nas discussões de vários elementos e situações entre pessoas, nações, ou entidades de mesmo interesse, podendo levar a conclusões positivas ou negativas, dependendo do que for acordado.

O Filme Capitão América 2: O Soldado Invernal, não é o primeiro a apresentar uma web conferência, mas talvez seja pioneiro em apresentá-la de maneira tão concreta, capaz de fazer-se crer na sua realidade. Daí o destaque dado neste texto para o uso de tecnologias interativas no filme, a despeito de outros.








quinta-feira, 10 de setembro de 2015

A tecnologia destruindo a história

11 de setembro: tecnologia de ponta a favor do desespero

Catorze anos se passaram e a memória coletiva da humanidade ainda retém imagens da queda das Torres Gêmeas, nos EUA, como poderosos fleches, como se o acontecimento fosse ontem. A dor causada em milhares de pessoas, entre elas amigos e familiares, com certeza persiste como marca que não cicatriza.
Pode-se indagar, ainda hoje, as causas de tal acontecimento. Claro que os EUA pretendem, após catorze anos, continuar eximindo-se da culpa de tais atentados. Obvio, por outro lado, que não se pode deixar de imputar culpa em quem realizou aqueles atentados.
Uma guerra, ou um atentado como o de 11 de setembro, nunca são resultados de coisa pequena. Fora preciso o acirramento dos ânimos, entre EUA e facções do Oriente, e mesmo governos legítimos do Oriente, durante muito tempo. Embora tenha gente que não considere este um problema real, um absurdo, de modo nenhum ele pode ser minimizado, o que seria uma falta de responsabilidade.
Após o atentado, mesmo a al-Qaeda assumindo sua autoria, desencadeou-se uma “caça às bruxas”  em termos ainda mais perigosos. A chamada “contraofensiva” lançada pelos EUA esmagaram milhares de pessoas do outro lado do mundo num processo de retaliação absurdo. Por outro lado, a popularidade do magno país das Américas ficou profundamente abalada, causando-lhe perdas irreparáveis. Não à toa que um novo presidente, com nova visão sobre política, economia e relações internacionais, subiu ao poder.
Segundo Eric Hobsbawm, as ações do EUA possibilitaram-lhe difundir o medo e o horror contra o terrorismo, escondendo, assim, as principais e maiores causas para os males da modernidade, inclusive o poderio exacerbado norte-americano sobre outros povos do mundo.
Passados catorze anos, prevalece a impressionante imagem do uso feito da tecnologia de ponta em favor da dor e do desespero. Como foi possível alguns homens, lotados em quatro aviões, driblarem o, dito, maior sistema de segurança do mundo e explodirem as duas torres mais poderosas já existentes? Pior: como isso pode ser perpetrado exatamente por um grupo isolado no Oriente sobre o qual pairava sérias dúvidas econômicas e tecnológicas?
Uma resposta à pergunta poder ser dada rapidamente: Bin Laden pôs os state no bolso e deixou todo mundo de boca aberta. Aberta, literalmente. Muitos gritando de medo e muitos babando impressionados. Imaginem a imagem ao, que esquematiza a posição dos “terroristas” dentro de um dos aviões que atingiram as Duas Torres. Um esquema como este, montado na realidade, demanda muito tempo, conhecimento do “solo” alvo e disponibilidade financeira e tecnológica invejável. Os mentores do 11 de setembro ficaram consagrados pela sua ousadia e coragem, mesmo que negativamente.

Passo a passo os mentores do atentado programaram suas ações, como pode ser visto na reportagem do G1 de 24 de novembro de 2011, quando dos dez anos do ocorrido. É claro que para realizar uma programação como essa, nos mínimos detalhes, e “sem erros”, fora necessário o conhecimento aprofundado das tecnologias de ponta, o domínio quase absoluto do uso de computadores e da internet, bem como dos modelos e das operações realizadas num avião e num aeroporto internacional.
O sequestro dos aviões, como é chamado, deu-se mediante horários programados e rotas pré-estabelecidas, a fim de não errar o alvo. E não erraram, exceto os aviões destinados à Casa Blanca e ao Pentágono, e isso apenas depois de soado o alarme e após a queda das Torres Gêmeas.
Enfim, vale indagar: quais os ganhos do uso exagerado das tecnologias de ponta para a humanidade? Claro que não se pode acreditar que seja totalmente negativo, mas deve-se reconhecer a preponderante falta de uma ética específica na produção, distribuição e manejo dessas tecnologias, especialmente quando o uso abusivo do poder entra em jogo.






sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Mapas Mentais

Cartografia Cognitiva: o que se tornou mais relevante

À primeira vista, parece coisa de grandes planejadores ou invenção de artista moderno. Mas a figura abaixo, que eu mesmo criei, faz parte de um mundo carregado de conceitos e significados. Não é à toa que o nome dado a esse tipo de trabalho é “Cartografia Cognitiva” ou Mapa Conceitual, como é mais conhecido.
A produção desse tipo de instrumento de trabalho não é recente, embora os esquemas mais antigos fossem feitos à mão numa folha comum de caderno, ou papel para mapas.
 Algumas das razões básicas para a produção de Mapas Conceituais estão na facilidade destes de apresentarem uma grande quantidade de conteúdos num espaço pequeno, o que exige do autor grande capacidade de interpretação e de resumir conteúdos; a elaboração de esquemas interpretativos para a apresentação de trabalhos acadêmicos; a capacidade de algumas pessoas de dominarem com facilidade vastos conteúdos e resumi-los precisamente, dispensando a escrita longa em favor de esquemas básicos que facilitem o estudo, entre muitos outros.
Eu tive um colega no curso de filosofia que, enquanto o restante da turma nos matávamos de prestar atenção e escrever até criar calos nos dedos, ele ficava de fones de ouvido, fazendo caretas e desenhando coqueiros, aroeiras, pinheiros..., todos com folhas, flores, ramos, tronco... de palavras e conceitos importantes do conteúdo ministrado pelo professor. No final das contas, tirava sempre 10 nas provas e nós outros, um 08, um 07 e mesmo um 06..., alguns um mísero 05 e outros, até um deplorável 04.

Foi o primeiro contato que tive com mapas conceituais, tudo feito à mal. Hoje existem sites especializados na elaboração desses instrumentos, embora o objetivo seja o mesmo.
Agora pense na figurinha bacana aí do lado. Embora tudo esteja em inglês e nem todos poderão entender o que diz, o dragão querendo devorar a ovelhinha é bem expressivo.

Numa escola no Brasil, isso bem que daria o que falar. Mas num pais mais democrático e menos tradicionalista, comunica a condição infalível de alguém expressar de maneira concisa e desenvolvida seu entendimento de determinado assunto. E ainda pode se divertir.

Um dos maiores desafios da atualidade é encontrar formas de compreender a avalanche de informações provenientes das rápidas mudanças nos sistemas informacionais e ofertadas pelas mídias informativas. Num contexto em que a Hipermídia adquire importância cada vez maior, lidar com as informações e os conhecimentos advindos da interligação de computadores e tecnologias digitais diversas, entrelaçadas pela internet, é um desafio enfrentado por muitos, mas superado por poucos.
Construir Mapas Conceituais tornou-se uma saída eficaz, especialmente para programadores, educadores, gestores, conferencistas e pessoas que lidam com funções do gênero.

Além dos Mapas Conceituais, como o da figura acima, outros elementos podem ser usados no resumo de conteúdos muito extensos, como as tabelas, os sumários, os índices... Temos também variantes dos Mapas Conceituais referidos basicamente pelo uso, ou não, de tecnologia ou pelo conceito que expressa: Mapa Mental, Mapa Argumentativo, Mapa Dialógico e Mapa da Web, este último produzido por sites e programas próprios. A criação e o uso desses elementos, de maneira especial dos Mapas Conceituais, recebe, hoje, a denominação de Cartografia Cognitiva.

Cartografia, como sabemos, pode ser uma coleção de mapas ou o estudo de mapas, mais precisamente esse último conceito. Se cognitivo, então é esquema de conhecimento, ou seja, um mapa onde se pode condensar as partes mais importantes de determinado conhecimento, a exemplo dos mapas geográficos, que traçam as linhas de deslocamento priorizando os pontos mais importantes, como portos, pousadas, cidades, hotéis etc.

Como exemplo, o Mapa de Charles Joseph Minard, desenhado em 1869, para descrever a tentativa do exército napoleônico de invadir e conquistar a Rússia. A genialidade desta obra está em apresentar, num espaço pequeno, o tamanho do exército, sua trajetória, sua localização, sua retirada, e mais: a temperatura em várias datas. A criatividade e a dinâmica desse mapa permitem compreender as causas da derrota do exército napoleônico. Um grande feito histórico, representado num pequeno pedaço de papel.

Hoje os Mapas Mentais são mapas de Minard. Precisam representar grandes elementos informacionais em pequenos esquemas desenhados (não mais à mão, embora este método ainda não esteja descartado completamente) em sites especializados, com programas próprios, como os indicados abaixo. A Cartografia Cognitiva, portanto, lida com o que é mais importante na elaboração do conhecimento.

Software de Cartografia para construção de mapas:

Cmap Tools, Nestor Web Cartographer, Compendium, Freemind, CHIC, FreeMind, VUE, Sciplore, Xmind.
Podem estar disponíveis para download.

Software online e sites:

Bubbl.us – http://bubbl.us/
LucidChart – http://lucidchart.com/

SpicyNodes – http://spicynodes.com/

A cor da minha pele no tom da sua voz: vozes plurais das escritoras negras de Minas

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